Miguel Strogoff ou O executor de ordens

Miguel Strogoff ou O executor de ordens

8 minutos O que se espera de qualquer obra literária, independentemente do gosto pessoal vigente, é que ela se projete no tempo e no espaço e seja lida com frescor e prazer muitos séculos depois pelos leitores de qualquer sociedade. Não importam quais tenham sido as intenções do autor, e muitas são possíveis, do entretenimento puro e simples à retaliação, uma obra literária só se conserva interessante e imprescindível se seu assunto e sua forma tiverem alguma relevância. Um dos maiores exemplos é “Édipo Leia mais

No dia das crianças, vá ao barbeiro com Leo!

No dia das crianças, vá ao barbeiro com Leo!

8 minutos Se para nós, adultos, mesmo com a grande quantidade de informações disponível sobre board games, já passamos a roer as unhas e arrancar os cabelos calculando os riscos, custos e benefícios para a compra de um jogo, não queiram imaginar o sacrifício que é escolher jogos para crianças. Com o metabolismo em alta voltagem, a vontade de correr e de virar o mundo de cabeça para baixo, fazer com que estes microsseres consigam destinar intermináveis 10, 20 ou 30 minutinhos focados até Leia mais

The Speicherstadt ou A invasão vinking

The Speicherstadt ou A invasão vinking

7 minutos O que leva um criador de jogos de tabuleiro a transformar um jogo de sua autoria num outro jogo? E ainda mais se o jogo foi mais ou menos um sucesso? Pressão do mercado? Insatisfação pessoal? Exigência do editor? Críticas negativas? Ou um pouco de tudo isso? Este é o caso do jogo The Speicherstadt (2010), de Stefan Feld. Quando soube que o Jórvik (2016) derivava de outro jogo, eu, com minha natural tendência de preferir o estranho ao comum, me interessei Leia mais

Power Grid e O proveito da energia

Power Grid e O proveito da energia

7 minutos Minha primeira vitória em Power Grid tornou-se para mim inesquecível. Aconteceu na última rodada e se originou de uma usina que arrematei e com a qual, na fase de aquisição de recursos, esvaziei o depósito de carvão, impedindo meu adversário de iluminar na totalidade a sua rede de casas; e, assim, ele acabou por iluminar só 16 cidades, ao passo que eu iluminei 20. Essa reviravolta, que poucos jogos proporcionam, foi incrível e deu uma perfeita ideia do que é este jogo. Leia mais

Klaus-Jürgen Wrede ou A última noite de Pompeia

Klaus-Jürgen Wrede ou A última noite de Pompeia

5 minutos Ter uma obra consolidada como um clássico absoluto prejudica seu autor, pois uma criação máxima ofusca todas as demais de sua rica produção. Aconteceu com Gabriel García Márquez e Dino Buzzatti na literatura, com Anton Dvórak e Felix Mendelssohn na música erudita e, ao que parece, com Klaus-Jürgen Wrede nos jogos de tabuleiro. O seu Carcassonne (2000) está sempre à venda nas lojas e é jogado por milhares de pessoas semanalmente, em todo o mundo. Na Ludopedia, é um dos board games Leia mais

Board games modernos e a “segunda experiência”

Board games modernos e a “segunda experiência”

8 minutos Recentemente, acompanhando uma conversa sobre board games num podcast, ouvi de alguém a afirmação categórica de que jogos de tabuleiro não servem para nada, exceto para divertir. A princípio, não deveríamos reagir a isso, pois aí está o Xadrez para provar o contrário. Mas, como tudo o que é dito acaba por produzir algum efeito, para o bem ou para o mal, decidi me manifestar. Ora, se paro dois minutos para pensar, encontro facilmente meia-dúzia de argumentos que demonstram, modéstia à parte, Leia mais

K2 e O destino contingente

K2 e O destino contingente

7 minutos Há certa monotonia nas opções de jogos de tabuleiro, atualmente. De um lado, publicam-se muitos eurogames; de outro, os jogos chamados pejorativamente de american trash ou temáticos. Em geral, os jogadores do primeiro grupo não flertam com os espécimes do segundo (tão cheios de miniaturas!), e os destes desprezam aquele primeiro mundo de meeples-operários e cubinhos representando os mais diversos materiais, como madeira, ouro, ferro, pele etc. e cujo propósito é construir, produzir, plantar, colher, embalar, vender e, ao final, pontuar. Como Leia mais

Flip City ou A volubilidade capitalista

Flip City ou A volubilidade capitalista

7 minutos Como se sabe, o capitalismo é uma selvageria: passa por cima de tudo e todos em busca de lucro e progresso. Começou primitivamente nos primórdios da humanidade, com o escambo, se expandiu séculos depois com os Descobrimentos, consolidou-se com a Revolução Industrial, sistematizou-se com as duas Grandes Guerras e se refinou em nossa época, com as vendas pela internet e pelo telefone móvel. Uma de suas características mais marcantes, contemporaneamente, é a conveniência. Outra: a padronização. Um excelente exemplo do uso lúdico Leia mais

Tokaido ou A proeza do pouco

Tokaido ou A proeza do pouco

6 minutos O conhecimento sobre a vida e o mundo se dá, ordinariamente, através de dois sentidos: o vertical e o horizontal. O primeiro é livresco e temporal; quanto mais lemos e vivemos mais aprendemos sobre a existência, o universo à nossa volta, as pessoas. O segundo é empírico, adquirido através do deslocamento no espaço, e se realiza, primordialmente, através das viagens, não importa se de um bairro a outro ou se de um país a outro país. Edgar Alan Poe escreveu contos ambientados Leia mais

O mistério dos oito minutos

O mistério dos oito minutos

4 minutos O poeta e compositor italiano Giacinto Scelci era fascinado pelo número oito. Refém desta adoração, ele acabou por escrever um poema, “Octólogo”, em que estabelece oito preceitos que, se adotados, poderiam talvez tornar melhor a existência de qualquer indivíduo. O ápice do poema está no último, o oitavo, que reza: “Não diminuir/ o significado/ do que não se compreende”. Creio que este é um excelente mote para comentarmos um aspecto do jogo Um Império em Oito Minutos (2013), de Ryan Laukat. Este Leia mais