O vasto mundo dos jogos de tabuleiro

O vasto mundo dos jogos de tabuleiro

Tempo de leitura: 2 minutos

Mesmo hoje, depois de tudo o que aconteceu desde o lançamento de Catan (1995), quando falamos de jogos de tabuleiro, as pessoas só se lembram de Xadrez, Damas, Banco Imobiliário, War, Jogo da Vida ou Combate.

Gostaríamos de acreditar que isso é um reflexo do valor indiscutível desses jogos, mas, infelizmente não é bem assim. Parece que, a despeito de todos os jogos que surgiram depois daqueles, os jogadores pararam no tempo: ou porque não foram adiante no hobby ou porque, no nosso país de tantas crises econômicas e políticas, os board games modernos, pós-aqueles, ficaram restritos a grupos específicos de adeptos.

Outro fator relevante é que os grandes jogos – como, por exemplo, Catan (1995), El Grande (1995), Torres (1999), Tikal (1999), Carcassonne (2000), Ticket to ride (2004), Stone age (2008) e Takenoko (2011), só para citar alguns – são publicados por editoras específicas de jogos ou de brinquedos, com distribuição quase que restrita a lojas especializadas. Poucos chegam às lojas de rede. Daí, o grande público mal fica sabendo de sua existência.

Por fim, e talvez este seja um fator decisivo, os jogos de tabuleiro modernos não são mais meramente um brinquedo ou um artefato que reúne a família em volta da mesa, embora continuem promovendo estas duas atividades: são também objetos de colecionismo. O jogador atual de jogos de tabuleiro experimenta-os em luderias ou na casa de amigos e depois, se gostou, compra-os para continuar a jogar, mas igualmente para colecionar. Não é incomum que um jogador que apenas joga semanalmente com amigos ou parentes tenha em sua coleção de 30 a 60 jogos. Na verdade, este é até um número discreto, de jogador bem pouco ambicioso.

Os jogos de tabuleiro atuais são, por outro lado, verdadeiras obras de arte: da concepção inicial à mecânica, passando pela arte em si (imagens e componentes), os jogos há muito deixaram de ser um simples artefato para a diversão e se tornaram obras autorais, concebidas por sujeitos que são badalados por sua capacidade inventiva e variada de criar jogos, a cada ano, mais inovadores ou dentro de uma tradição já consagrada e admirada: Klaus Teuber, Reiner Knizia, Uwe Rosenberg, Michael Kiesling, Wolfgang Kramer, Bruno Cathala, Antoine Bauza, Klaus-Jürgen Wrede e Stefan Feld são antes de tudo criadores, artistas ou, como se diz comumente, designers. Verdadeiras lendas de seu meio: discutidos, venerados, analisados. Já existe um “estilo Feld de pontuar”, uma “mecânica à maneira de Cathala”, uma “reimplementação abstrata bem ao gosto de Reiner Knizia” etc. Em pé de igualdade, portanto, com os grandes pintores, cineastas ou escritores, que marcam época, criam estilos e renovam ou subvertem as regras de criação.

Assim, se você descobriu muito recentemente este vasto universo dos jogos de tabuleiro modernos, saiba que ele só está começando para você, pois ele é realmente amplo, variado, profusamente criativo e com um arco de possibilidades que nos leva a arriscar dizer que todos os jogos já foram criados, mas muitos e muitos ainda o serão, paradoxalmente.

3 Comentários


  1. Estou alternando entre os. Antigos e os modernos… Estou pra ficar louco com a variedade

    Responder

  2. Eu descobri os novos jogos a menos de 6 meses, quando criança amava jogos de tabuleiros ( war, banco imobiliário, detetive) esse hobby continuou com a chegada dos filhos, comecei a comprar pra brincar com eles, comprei todos que via nas grandes redes, mas nem imaginava que existia um outro mudo de jogos, descobri por meio de uma postagem que foi marcada a Galapagos Jogos! Nossa estou maravilhada com esse mundo, meus filhos estão adorando os novos jogos, espero ansiosa pela próxima compra! Onde eu estava que não sabia da existência deles? Kkkk

    Responder

  3. Ao autor, parabéns pelo texto. Direto e objetivo!

    Esse mundo dos jogos de tabuleiros é fascinante. Em cada jogo tem algo que atrai, conquista e fideliza rsrs

    Como muitos títulos são em inglês, eu achava que possuía poucos jogos em português (conhecia apenas os clássicos da Grow e Estrela). Durante a quarentena meu companheiro incentivou o aluguel e a partir daí descobri que existe muitos e muitos jogos em português. Então, decidimos investir no hobby e espero que muitas pessoas descubram que os jogos existem com traduções para o português e é uma ótima fonte de alegria e diversão!

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *